domingo, 10 de outubro de 2010

Hipocrisia neomacarthista dos José's Bush

A grande hipocrisia e desfaçatez ainda não desmontada  é o discurso acerca da política de relações do Brasil com o Irã. Vemos arroubos espasmódicos de diversas frentes apresentando pontos débeis que não resistem ao crivo simples.




  1. Possível "namoro" com Mahmoud Ahmadinejad 
Hipocrisia: não há "namoro", nem alguém morrendo de amores ou se identificando com ele. Ele é o chefe de Estado do Irã. O 6º presidente, e como tal, é o que representa seu país e é com quem qualquer um que não rompa relações diplomáticas com o Irã é com ele que deve se relacionar. E ninguém dos hipócritas propôs rompimento de relações diplomáticas, que é o que deveriam propor se fossem mesmo sinceros. Em 2008 as exportações brasileiras para o Irã foram de US$ 1.100.000.000,00, e as importações, US$14,7 milhões, ou seja, o Brasil exporta 76 vezes mais o valor do que importa de lá. Há potencial de que o comércio aumente em breve para cinco vezes mais.

  •   O Irã é uma tirania. 
Hipocrisia: Lá, mal, mal, há eleições. Pelo menos há algo para contestar. A Arábia Saudita, que ninguém ataca e muitas vezes nossa imprensa elogia o rei Abdulah, perdulário ostensivo, nem isso tem; não tem  partidos políticos, nem eleições para presidente, e as eleições municipais começaram em 2005 com fraudes. As eleições no Afeganistão do Hamid Karzai foram respaldadas pelos EUA com fraude e tudo. As eleições de George Bush - que tem inspirado José Bush - foram fraude e permaneceram. A Arábia, país que nem divulga seu coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, tem pena de morte para mulheres acusadas de adultério - sendo que em 2008 aplicaram à Fawza Falih sob acusação de "bruxaria" - e pena de morte para homossexuais. Ninguém fala nada.

  • Mahmoud Ahmadinejad nega o holocausto
Inegavelmente condenável. Mas assim como a Turquia negar o holocausto armênio. E ninguém dos macarthistas aqui chia. Só porque os armênios não têm tantos recursos para bancar superproduções cinematográficas para contar sua história? Não é errado os judeus fazerem isso, devem sempre trazer à tona o crime histórico. Mas o que não podemos é invizibilizar outros, e nem ter dois pesos e duas medidas. 

  • Ahmadinejad quer apagar Israel do mapa.
Bobagem; isso é retórica populista dele. Israel muitas vezes deu sinal de quase apagar os palestinos do mapa e foi ela que já sinalizara muitas vezes a vontade de atacar o Irã. Além do mais, porque Indonésia e Paquistão não se apagaram do mapa, sendo que ambos igualmente são hostis?

  • O Irã quer fazer bomba nuclear
Sabe-se? Os EUA, depois das bombas nuclerares do Iraque que nunca existiram, não têm muita credibilidade. E porque nossos Josés Bush não protestam abertamente contra o arsenal nuclear dos EUA, França, Israel, Inglaterra, Índia? Não falamos da Arábia - da família de Osama Bin Laden - e seu "humanismo"? Pois então, os EUA estão para vender a ela US$ 60 bilhões em armamento pesado, helicópteros de ataque Apache, helicópteros de assalto Black Hawk e caças F-15. Será a maior venda de armas da história, que tem oferta expandida para os Emirados Árabes. Cadê nossos Josés Bush chiando?
Ademais, o que vai se querer se eles não engendrarem alternativas energéticas e tecnológicas [ leia aqui "ciência no Irã, e verão que ali não é uma caverna de Neandertais como os macarthistas pintam], que o povo Iraniano - se esquecem deles - dependa para sempre do petróleo, até quando este não der mais para sustentá-los? E então, o que se propõe? Suicídio coletivo?




A última hipocrisia: os mesmos grupos que reclamam de "direitos humanos no Irã", são os mesmos aqui no Brasil que pregam que direitos humanos é frescura, feita para defender bandido. Como podem então ter moral para querer tirar o cisco dos outros, eles que não tiram as traves de seus olhos?

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